
Um garoto aparentemente normal, 10 anos, olhos castanhos, pele branca, cabelos negros, e sempre tranqüilo. Era assim que as pessoas o viam externamente, pois não imaginavam como era por dentro, ate porque ele mesmo não as deixava descobrir, o que sentia, pensava ou ate mesmo o que sonhava, coisas que só ele e seu “Diário de aventuras” sabiam.
Sonhava com um lugar mágico, onde pudesse ser simplesmente ele, sem ter que ouvir pessoas o mandando ser de um jeito, ou de outro, se metendo em sua vida e ter tudo o que mais adorava. Esse lugar se chamava “Paraíso do ser“ onde ele podia ser exatamente tudo o que queria: um pirata, um astronauta, um super-herói talvez?
Era um lugar lindo, mágico, perfeito para ele, e ele o visitava todas as noites desde que aprendera a sonhar, cada dia se metendo em uma nova aventura e arrumando novas confusões e as contando somente para seu amigo fiel.
O tempo seguiu e o “Paraíso do ser” foi sendo esquecido, 11, 12, 13, 14 anos, e o garoto mudou, arrumou amigos, namoradas, uma vida, já não se lembrava mais de seu lugar preferido onde antigamente passava todas as noites de sua vida.
Em certa tarde, acabara de voltar do velório de sua mãe, atordoado, triste, angustiado com raiva de si mesmo por tê-la deixado ir, com raiva dela por ter ido. Só queria se deitar, dormir e acordar desse triste e imenso pesadelo. Porém ao entrar em seu quarto, viu a gaveta de sua escrivaninha aberta, e dentro o seu amigo de antigamente, o “Diário de aventuras”, folheou-o e disse em voz baixa. “Por toda minha vida, visitei aquele mundo para me esquecer dos meus problemas, para ser quem eu queria ser sem ninguém se importar com isso. Não posso parar com isso agora, tenho que continuar a sonhar, continuar minhas aventuras, e ser quem eu quero ser ao menos em meu “Paraíso do ser”.
Então deitou-se e adormeceu com o pequeno caderno de capa azul em suas mãos, e assim, todas as noites de sua vida foram felizes, pois era proibida a entrada de pensamentos negativos no “Paraíso do ser”